A cada ano que se inicia, estabeleço uma meta para melhoria de meus defeitos (que não são poucos!) e tento cumprí-la à medida que ele transcorre. À cerca de dois meses recebi por email uma questionário a ser respondido e quando interrogada sobre o desejo que gostaria de realizar este ano, não tive dúvidas ao responder: "Quero estar mais perto de Deus". Foi só então que minha percepção se abriu e notei que minha agenda, no quesito "pontos de melhoria", estava em branco. A partir daquele momento, a resposta dada transformou-se num desafio. Só não sabia que rumo tomar e que ponto atacar para atingir meu objetivo.
A maioria das mulheres que, como eu, trafegam solitárias pelos caminhos da vida, não raramente sentem-se magoadas, ressentidas e usadas na questão da banalização dos relacionamentos amorosos. Acredito que isso aconteça porque pisoteiam valores adquiridos através da educação que receberam para a vida e em muitos casos, preferem considerá-los ultrapassados, ao invés de aglutinar experiências. Sentem-se "crescidinhas" o suficiente para criarem seus manuais de conduta e passam a bater cabeça, como donas absolutas de seus destinos. Eu, particularmente, tenho levado algumas rasteiras do sexo oposto e em meio ao sofrimento, procuro no outro razões para alguns episódios dos quais não entendo o desfecho, entre eles, alguns desligamentos, digamos, "repentinos e inexplicados". Confesso que dificilmente as encontro. O homem não precisa de razões para executar suas manobras: Ele é puro instinto e, como um animal, faz seus experimentos por simples curiosidade ou para saciar o desejo incapaz de conter. A mulher, ao contrário, perde o senso analítico: Sua razão bate em retirada quando a emoção entra em campo. Ela se apaixona, fantasia, se casa, tem filhos... E tudo numa fração de segundos! Quando acorda desses devaneios, a criatura já "bateu asinhas". Acredita que eu, por algumas vezes, quando me dei conta percebi que o "dito cujo" tinha saído da minha vida, assim como quem foi à feira comer um pastel e nunca mais deu notícias? E quando situações dessa natureza ocorrem, qual é o posicionamento correto para não permitir que mágoas tomem conta do nosso coração?
Padre Zezinho tem uma música que se encerra com a seguinte frase:
"A vida é uma questão; o amor é a resposta". Realmente, a vida nos questiona todos os dias e utilizando do sentimento maior, todas as respostas virão. É amando, seja amor carnal ou fraternal, que tenho aprendido a necessidade do perdão. Houve um tempo em que eu ousava não me sentir magoada, como a querer ser perfeita o bastante para não alimentar sentimentos negativos . Raiva, hoje me permito sentir. Ódio, jamais. E guardar ressentimento? Nem pensar! Por isso, procuro perdoar o mais rápido que posso. Procuro digerir, em tempo recorde, o desconforto que uma desilusão produz, para que não se transforme em ressentimentos e fique enveneando minha alma. A frase bíblica dita por Paulo de Tarso
"todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm" (I Cor, 20, 23) remete a estas situações que vivo hoje. Se não aprender usar a razão antes da emoção se contrapor, acabo permitindo que pessoas me machuquem e erroneamente me sentirei injustiçada. Nesse caso terei que usar doses imensas de perdão, o que em pequenas porções muito me custa. Por outro lado, se trilhado com sabedoria, esse parece ser o caminho para atingir o objetivo que tracei para 2009.
Dos sentimentos que um ser humano pode cultivar, com certeza o amor é o maior e mais nobre. É mais uma verdade dita por Paulo de Tarso em I Coríntios, cap. 13. Através da prática do amor por mim mesma, tenho aprendido a valorizar meu corpo, templo sagrado onde habita meu espírito, que traz nele a marca do Criador. Com isso, atribuo também a mim, as culpas pelo que de ruim venha acontecer através dele. E vejo em várias circunstâncias, pontos onde posso crescer e evoluir, acionando o mecanismo o autoperdão. Em relação ao outro, Jesus me exorta ao perdão infinito. Aceitando e praticando esses essinamentos, percebi que já estou me sentindo bem mais perto de Deus.
E assim foi que aprendiNa hora de sofrerQue nada faz sentido sem perdãoQue se eu não perdoar eu me enveneno.E, se eu viver querendo eterna compreensãoJamais aprenderei do amor esta lição:O amor é bom demaisPorém às vezes dói! (Pe. Zezinho em "O Amor é a Resposta")