O Zodíaco preveniu que por volta de 15 de janeiro haveria uma eclipse solar em meu signo, assinalando situações emocionais tensas. Li e me esqueci. Só fui recordar o alerta por um perrengue sinistro que passei no último fim de semana. E como sou ansiosa, os problemas crescem assustadoramente, o amanhã demora, quero resoluções para ontem...etc, etc.
Por não ser supermulher e ainda não descobri onde adquirir uma varinha mágica (se alguém souber me conte por favor!), como qualquer mortal recorro à Divindade, pedindo auxílio urgente. Passei o dia inteiro de baixo astral, com alguns amigos ligando tentando ajudar-me, entretanto, não tínhamos sucesso, apesar dos esforços concentrados. Digo não tínhamos, uma vez que meu desejo é sempre estar bem, mas naquele momento, por mais que me esforçasse, não conseguia reagir. Aquela sensação horrorosa, com certeza, não era coisa de Deus!
Ao cair da noite, eis que um anjo entra pela porta da frente! De estatura frágil, humilde, com um sorriso nos lábios, parecia envolvida por uma aura clara, reluzente. Seu nome: Solange. É uma comadre e prima muito querida, por quem tenho enorme adminiração, pela calma e equilíbrio que ostenta diante das dificuldades. Esperava que ela me colocasse no colo, afagasse, adulasse... Mero engano! Ouviu minhas queixas calmamente e depois, com aquela voz mansa e pausada que lhe é peculiar, emitiu suas opiniões, ou melhor, deu-me de cara alguns puxões de orelha básicos, que serviram para que eu analisasse claramente a situação que vivia e parasse de procurar pelo em ovo.
Por coincidência, no dia seguinte ao ocorrido, decidi assistir a um filme que há tempos tinha em mãos e não encontrava tempo para fazê-lo. Tem o título de "Divã", estrelado por Lília Cabral. Fantástico! Valeu por várias sessões de psicoterapia, contribuindo para que eu enxergasse os movimentos da vida com mais leveza, principalmente no final, quando a protagonista faz a seguinte conclusão diante do seu analista: "Vida é falta de definição. É transitória mesmo! Não tem a portinha certa, não tem o mapa da mina. O mapa muda toda hora e a mina pode explodir a cada momento, em qualquer lugar." Para mim foi uma bela lição e creio piamente que o anjo, mais uma vez, se fez presente de forma subjetiva, como faz na maioria das vezes nos assoprando conselhos em forma de intuições, às quais não damos a mínima importância
.
Aprendi muito nesses últimos dias! Sabe qual é a mola que tem me impulsionado? A dor. Sem ela eu seria como a semente protegida numa redoma, sem passar pelas intempéries, consequentemente, sem produzir, sem renascer. Então, percebo que tenho renascido a cada amanhecer. Pago altos preços? Sim. Contudo, tenho vivido e isso é o que importa! Lembro-me que certa vez ouvi o comentário de uma adolescente sobre sua infância que deixou-me extasiada. Ela disse assim: "- Se brinquei muito? E como! Minhas bonecas não ficavam com um fio de cabelo, eu inventava de tudo! Nada tenho guardado daquele tempo. Mas como brinquei e fui feliz!
Pois bem, está decidido! À partir de agora, meu primeiro passo rumo a ser mais feliz é assimilar a mensagem do anjo: Viver é uma arte que demanda aprendizado contínuo; as feridas a gente trata, os cacos a gente cola. Porém, com leveza e atitudes maduras, posso tornar esse aprendizado uma gostosa brincadeira.
"Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
E não esquecer, ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer." (Guilherme Arantes em Brincar de Viver).
"Digo que poderíamos ser muito mais felizes do que geralmente nos permitimos ser, mas temos medo dos preços a pagar. Somos covardes." (Lia Luft em Perdas & Ganhos)
É onde me escondo para revelar, através das palavras, pensamentos e coisas do coração.
sábado, 23 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
REINCIDIR OU NÃO: EIS A QUESTÃO.
Tenho muita dificuldade em lidar com perdas. Falo das perdas emocionais. Se precisar de uma pessoa que aceite a morte com naturalidade (para muitas parece até frieza), recorra a mim. Mas não me peça para suportar com calma a separação em vida de alguém que amo. Sou uma lástima nesta questão. Para se ter uma idéia, a morte, propriamente dita, de minha mãe ocorreu quando ela se separou de meu pai e se mudou. Lembro-me da angústia vivida durante o dia de trabalho, imaginando que não mais a encontraria quando retornasse à noite para casa. Cinco anos mais tarde ela partiu deste mundo e eu reagi com relativa tranquilidade. Meu marido morreu (e eu quase literalmente) quando nos separamos. Curti uma pseudo viuvez que parecia infinita, até descobrir motivos para sorrir outra vez. Quando uma amiga muito querida se mudou para os Estados Unidos, chorei semanas a fio.
Pensei que o sofrimento pela separação me tornaria mais "casca grossa" quando fosse me relacionar novamente com outro homem. Mera ilusão! A cada novo caso onde ocorra ruptura, sinto uma tristeza que me rouba as energias. Sinto um desejo enorme de sair caminhando sem rumo até perder as forças e que alguém apareça milagrosamente, coloque-me no colo e cuide de mim. Sempre que as pessoas presenciam meu sofrimento, saem com o seguinte conselho: "Não sofra por quem não te mereça!" Me diga quem consegue racionalizar num momento desses? Quando amamos, a pessoa escolhida é sempre perfeita!
E tem ainda um outro ponto interessante: Filhos, amigos, parentes de qualquer natureza não conseguem ocupar o vazio que a perda de um relacionamento provoca. É outra categoria de amor. Cobrar de alguém que amarga com a perda, um comportamento equilibrado em relação aos entes queridos, é empurrá-lo ainda mais para o fundo do poço, pois causa grande aflição pensar que não conseguimos amar bem a quem deveríamos.
É claro que cada indivíduo reage à sua maneira. Mas conheço vários relatos de pessoas que se assemelham ao meu. Minha psicoterapeuta disse que esse comportamento, de certa forma doentio, pode ser comparado ao alcoolismo. Somos dependentes de todo afeto que cultivamos. Nas questões conjugais então é que a doença manifesta-se com toda força. Com relação ao álcool, quando nos tornamos dependentes, sabemos ser necessário eliminá-lo definitivamente dos nossos hábitos. E em se tratando do amor, quem será capaz de evitar as recaídas?
"Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida." (Tom Jobim/Vinícius de Morais em Eu sei que vou te amar)
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida." (Tom Jobim/Vinícius de Morais em Eu sei que vou te amar)
O AMOR É INSANO?
Na cama, lençois cor-de-rosa; na alma branca grande inquietação. O sexto sentido adverte: Não virá. No entanto, o coração teimoso insiste em alimentar esperanças, vivendo a expectativa da espera angustiante. As horas passam e da rede na varanda ela observa o vizinho que fuma na sacada. Ironicamente é o mesmo que em certo domingo espreitava cenas explícitas de carinho e amor. Parece indagar: Onde está teu homem? Onde estão os protagonistas das cenas que causaram-me inveja e arrepios?
Ah, se o pensamento tivesse força de materialização! Na sua insanidade emocional, imagina-o alí respirando o mesmo ar, os corações batendo no mesmo ritmo... O que leva essa moça a querer algo que não deseja ser seu? O que leva essa moça a gostar mais do outro do que de si mesma? Que força é essa que em certos momentos colore seu infinito cinza e em sua falta até a lua se apaga?
A moça se cala, se enrola na rede em posição fetal em busca das lembraças e do calor do ventre materno. Chora e pede aconchego. Intimamente possui todas as respostas; só não se atreve a verbalizá-las, ou prefere ludibriar a si mesma. Para a terra que tem sede, uma gota faz brotar o verde que da continuidade à vida. Para quem caminha só e ainda sonha, um aceno pode mudar toda uma trajetória. E para quem acredita que viver ainda é o grande desafio, enfrentar um novo amanhecer pode ser uma grande vitória.
"O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar." (Oswaldo Montenegro em Estrada Nova)
Ah, se o pensamento tivesse força de materialização! Na sua insanidade emocional, imagina-o alí respirando o mesmo ar, os corações batendo no mesmo ritmo... O que leva essa moça a querer algo que não deseja ser seu? O que leva essa moça a gostar mais do outro do que de si mesma? Que força é essa que em certos momentos colore seu infinito cinza e em sua falta até a lua se apaga?
A moça se cala, se enrola na rede em posição fetal em busca das lembraças e do calor do ventre materno. Chora e pede aconchego. Intimamente possui todas as respostas; só não se atreve a verbalizá-las, ou prefere ludibriar a si mesma. Para a terra que tem sede, uma gota faz brotar o verde que da continuidade à vida. Para quem caminha só e ainda sonha, um aceno pode mudar toda uma trajetória. E para quem acredita que viver ainda é o grande desafio, enfrentar um novo amanhecer pode ser uma grande vitória.
"O sol já nasceu na estrada nova
E mesmo que eu impeça, ele vai brilhar
Lembra se puder
Se não der esqueça
De algum jeito vai passar." (Oswaldo Montenegro em Estrada Nova)
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
NO JOGO DA VIDA
Se a bola vier de jeito,
emplaque...
Se a carta não for seu naipe,
descarte...
Se a jogada for decisiva,
xeque-mate!
Se der para concluir o ataque,
enterre...
Se a decisão for no bater de mão,
não erre...
Se acaso a peteca cair,
sossegue!
Se a tacada final não der caçapa,
chore...
Se a corrida trouxer medalha,
comemore...
Se tiver a musculatura cansada,
namore!
Afinal,
O que mantém o espírito vivo
é a chama.
Numa competição,
autoridade pertence ao árbitro,
Porém, na vida,
só exerce domínio no jogo,
quem ama.
P.s. Poema escrito para meu amigo Márcio, esta figura maravilhosa no canto direito, cujo niver é 22/12. Ele é professor de Educação Física, maratonista, árbitro de basquete, etc, etc. Ah, é também solteiro convicto!
domingo, 20 de dezembro de 2009
MEU NATAL INESQUECÍVEL
Era 24 de Dezembro, por volta das 18:30h. Naquela momento eu estava acelerada a secar os cabelos, com os minutos contados para chegar à casa espírita onde faria uma apresentação com o coral, no culto de Natal. Havia ganhado o direito de executar um solo, acompanhada de um colega violonista. Era meu primeiro solo; estava exultante além de muito tensa.
O telefone tocou. Um dos meus filhos atendeu e a voz do outro lado pediu para falar com a dona da casa. Quando atendi, uma senhora falou:
- Desculpe incomodar a esta hora e neste dia. Estou num orelhão, disquei aleatoriamente o número que me veio à cabeça e caiu em sua casa. O problema é que tenho uma família muito pobre e prometi à meus netos que faria um almoço especial amanhã e até o momento nada tenho para cumprir minha promessa. Para falar a verdade, não tenho nem para o almoço básico de qualquer dia. A senhora não me conhece, eu sei, mas gostaria muito de poder contar com sua ajuda.
Confesso ter ficado sem palavras. Ao mesmo tempo, um sentimento diferente manifestou-se em meu coração, tomando o lugar da melancolia que sempre o assola nas proximidades dos festejos de fim de ano. Perguntei àquela senhora em que bairro morada e ele me indicou um da região noroeste da Capital. De antemão, avisou que se eu não pudesse me deslocar até lá ela me encontraria no terminal da Praça A, em Campinas. Assim combinamos um encontro para o dia seguinte, 25 de dezembro, às 09:00h.
À partir daquele momento empreendi uma corrida contra o tempo. Fui verificar o que possuía no freezer, dispensa, para que pudesse montar uma cesta natalina digna. Além disso, havia perguntado à senhora quantos netos possuía, sexo e idades. Quis providenciar também alguns brinquedos e para tanto, recorri aos armários dos meus filhos que auxiliavam-me na escolha daquilo que podia ser doado. Como não tinha todo o necessário, fiz ainda uma pequena lista para que meu marido corresse ao supermercado, adquirindo o complemento. Após essas providências, fui a apresentação do coral, juntamente com minha família assistí o culto natalino, participamos de uma modesta ceia na residência de minha irmã e retornamos para casa, onde eu ainda embalaria as doações, cuidando, especialmente, dos pacotes de brinquedos para as crianças.
No dia 25 de Dezembro, nos dirigimos à praça A no horário combinado. Paramos o carro nas mediações e fui em busca da senhora, da qual desconhecia qualquer detalhe da fisionomia. Ao atravessar a rua que circundava à praça, vislumbrei a figura de uma idosa humilde, próxima à catraca de entrada, segurando a mão de um menino. Meu coração disparou, identificando com seus olhos aquela que havia ligado na noite anterior. Nos cumprimentamos e eu os guiei até onde o carro se encontrava estacionado. Apresentei meus filhos, meu marido e abri o porta-malas do carro cheio de sacolas com os donativos. Aquela senhora e seu neto caíram em pranto. Haviam imaginado que eu doaria somente gêneros alimentícios para o almoço daquele dia. Ficamos tomados pela emoção. Perguntei se não queria que a levássemos em casa, pois seria difícil conduzir tantas sacolas através do transporte coletivo. Ela agradeceu e disse que eu já tinha feito muito, explicando que morava próximo à parada do ônibus do bairro. Buscaria ajuda lá. Auxiliamos na condução dos donativos até a entrada do terminal e nos despedimos. Ela não se cansava de agradecer a nós pela generosidade. Eu não me cansava de agradecer a Deus pela oportunidade de ser útil, de amenizar no meu coração aquela sensação de vazio.
Naquele ano, tive um Natal feliz, embora no meu íntimo persistisse o desejo que, momentos como aquele e tantos outras semelhantes, comuns em nosso cotidiano, fossem banidos de uma sociedade constituída de irmãos, filhos do mesmo Pai. Por muito tempo, a imagem daquela senhora e seu neto, num misto de risos e lágrimas, provocavam um aperto em minha garganta. O mesmo que senti agora, passados tantos anos, relatando meu conto de Natal.
"Um jeito mais manso de ser e falar
Me diz porque só no Natal é assim?
Que bom se ele nunca tivesse mais fim...
Que o Natal comece no seu coração,
Que seja pra todos, sem ter distinção.
Um gesto, um sorriso, um abraço, o que for,
O melhor presente é sempre o amor...
Se a gente é capaz de espalhar alegria,
Se a gente é capaz de toda essa magia,
Eu tenho certeza que a gente podia
Fazer com que fosse Natal todo dia." (Trechos da música Natal Todo Dia - Roupa Nova)
domingo, 13 de dezembro de 2009
MULHER-TORA
Há um tipo de mulher muito em moda atualmente: A mulher-tora. Ela é encontrada facilmente nas academias de musculação, malhando pesado no intuito de esculpir e desenvolver músculos avantajados, chegando, as mais exageradas, a adquirir um porte físico masculinizado.
No entanto, no meu conceito, existe outro tipo de mulher-tora. Eu convivo com uma desta categoria há mais de 40 anos, embora ela tenha começado a delinear a musculatura de sua alma por volta de 22 anos atrás, quando tinha 19 anos. Naquele tempo, ainda com aspecto físico de menina pela adolescente que era, alimentava sonhos como qualquer mocinha da sua idade. O início do seu treinamento deu-se com uma gravidez inesperada, sendo que a partir de então ela abriu mão de muitos dos planos que fizera, para assumir sozinha a criação daquele filho. Recusou veementemente o rótulo de "mãe-solteira", declarando de peito aberto: Sou mãe! Assumiu essa maternidade com responsabilidade e maturidade de mulher feita. Lembro-me claramente do dia em que o Rafa nasceu: Tocaram a campainha naquele 30 de janeiro de 1987, quando abri a porta, lá estava ela, com o líquido amniótico escorrendo pernas abaixo, dizendo: - Chegou a hora, leve-me para a maternidade! Estive presente naquele momento de alegria e promessas de vida nova. Fui agraciada com o convite para ser madrinha do seu filhote, a quem muito amamos e de quem muito nos orgulhamos pela honradez e caráter que possui.
Por volta dos 35 anos, ela foi obrigada a suportar mais uma carga no seu treinamento emocional. Um câncer de mama - que ela jamais aceitou ser denominado de "aquela doença" - de um tipo muito agressivo manifestou-se para nosso medo e preocupação. Ela também teve essas sensações, contudo, naquele momento, segurou a barra e não se permitiu demonstrar fragilidade. Assim, com toda força e coragem eu a vi entrar para a sala de cirurgia; eu ouvi sua voz, logo após o resultado da biópsia, dizendo-me que o tumor era maligno; eu a vi enfrentar as sessões de quimioterapia e radioterapia sem reclamações ou lamúrias, recusando as licenças médicas a que tinha direito. Senti-me agraciada, desta vez, por servir de apoio naqueles momentos de sofrimento e luta, acompanhado todo o processo de recuperação, que, principalmente por sua fé, tornou a cura uma realidade.
Fazia pouco tempo de recuperação daquela cirurgia, quando outro problema de saúde veio nos preocupar novamente, Agora era o útero. Por causa do desejo de ser mãe mais uma vez, ela protelara a retirada de um mioma, que com o uso dos medicamentos para tratamento da doença anterior, aumentara consideravelmente, não restando outra opção que não fosse a histerectomia. Enquanto outras mulheres da sua faixa etária e nas mesmas condições se desesperariam ante a possibilidade de uma cirurgia daquela natureza, esta mulher abusava da sua força, dizendo à médica responsável: - Tira tudo o que for necessário; não quero problemas futuros. Resumo: Como os ovários haviam sido afetados, entraram também no “pacote” cirúrgico. Mais uma vez eu estava ao seu lado, presenciando seu crescimento e aceitação das cargas que Deus colocava em seus ombros, as quais ela suportava com louvor.
Esta mulher cresceu muito em virtude e coragem, e eu a vi agigantar-se mais ainda quando precisou lutar por aquele que seria seu parceiro no amor e na vida. Junto com a conquista, veio a realização do sonho do matrimônio numa linda e emocionante cerimônia. Adivinha quem estava lá de madrinha? Euzinha, claro! Feliz da vida por estar fazendo parte daquele momento de felicidade e de mais uma de suas vitórias.
Todas essas circunstâncias vividas e vencidas, a credenciaram para que estivesse também à meu lado em momentos muito difíceis. Se quando ela nasceu eu a carreguei nos braços, em várias ocasiões ela carregou-me no colo, cedendo seu ombro amigo para que eu chorasse, consolando-me. O mais recente deles e que muito me marcou foi o triste dia em que, num corredor frio de hospital ouvimos, apreensivas, a notícia de que papai já não fazia mais parte deste mundo. Choramos juntas, nos amparamos e como boas filhas da "véia" Rita, nos erguemos e fomos tomar as providências necessárias àquela ocasião.
O que esperar mais em termos de crescimento e força desta mulher-tora? Isto só a vida poderá nos responder. Sei apenas que estarei sempre perto, como irmã, como amiga, sentindo minha admiração aumentar toda vez que a vejo superando limites, colecionado medalhas nas maratonas da vida e nas provas de atletismo. Sim, a criatura resolveu ser abusada ao extremo! Agora é mestra na arte de superar obstáculos que desafiam sua capacidade física, fazendo uso de um emocional ultrarresistente. Ah, e para não fugir do perfil da mulher-tora cultuado pela maioria, a dita cuja ainda exibe um belo par de pernas e glúteos invejáveis! Ta bom ou quer mais?
"Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho, sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida...." (Milton Nascimento em Maria Maria)
“Nós, mulheres, nascemos para tecer fios de seda, mas quando é preciso, tecemos fios de aço”. (Iris Araújo – Deputada Federal por Goiás)
domingo, 29 de novembro de 2009
DESENCONTROS
A vida não cansa de nos pregar peças. Em cada esquina, em cada encruzilhada há uma decisão a ser tomada em relação a que rumo seguir. Muitas vezes a caminhada segue tranquila e de repente lá está ela, a temida dúvida, a nos encarar de frente, colocando em cheque a capacidade de escolha do ser humano.
Nas questões de afetividade, as escolhas ocorrem cotidianamente e alguns acontecimentos que as precipitam são até curiosos. São comuns os encontros no momento errado com a pessoa certa. Muitas vezes traçamos planos para nossa vida afetiva, crentes que a realidade permanecerá a mesma e de repente acontece a surpresa que nos obriga a mudar de planos ou abdicar de alguém que há muito desejávamos conhecer, mas que só nos deu a chance de concretizar o encontro, na hora exata em que não cabe nesses planos.
Já ouvi frases do tipo: "Onde você estava há 10 anos atrás"?, ou "se eu não fosse casado, você seria a pessoa ideal como parceira de vida", ou ainda "Não posso lhe fazer promessas porque no próximo carnaval irei para Salvador com um grupo de amigos e isso será problema caso estejamos namorando" (!!!). Por várias vezes cheguei atrasada à estação, quando não havia mais bilhetes e o trem partiu sob meu olhar melancólico, como de uma criança que vê sua pipa tão desejada, confeccionada com esmero, ter sua linha "torada", se perdendo no ar, sem que nada pudesse fazer. E com aquele nó apertando o peito, na certeza que alguém observava seu percurso e se apossaria dela, assim que tocasse qualquer superfície alcançável.
Sei que também fui motivos de desencantos na vida de muitos que desejaram-me por companheira em momentos inoportunos e impossíveis, mas nem por isso me consolo. Não senti suas dores, suas perdas. Talvez consigam digerir melhor esse bolo. Numa conclusão preliminar, penso que a procura pelo amor esbarra-se num senhor implacável denominado destino, que traça nossos rumos sem que tenhamos chance de determinar o momento ideal de um encontro. Por outro lado, quando ele abre a guarda e permite escolhas, construímos uma barreira com base no egoísmo - que em tempos modernos se dirfarça sob a alcunha leve da "individualidade". Ao permitir que o "eu" assuma maior importância que o "nós", caminhamos para uma realidade onde os relacionamentos casuais assumem uma proporção assustadora em contraste com seres humanos cada dia mais carentes e solitários. Esses indivíduos que se procuram, na maioria das vezes, encontran-se frente-a-frente, todavia não se enxergam. Será que poderei concluir, seguramente, que o poder de escolha não passa de um engodo do destino que já tem escrito o enredo de nossas vidas e funciona como um cruel manipulador, onde somos apenas meros atores que seguem fielmente a sinopse pré-definida?
"Jogue suas mãos para o céu
E agradeça se acaso tiver
Alguém que você gostaria que
Estivesse sempre com você
Na rua, na chuva, na fazenda
Ou numa casinha de sapê..." ( Kid Abelha em Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda)
Assinar:
Postagens (Atom)





