quinta-feira, 19 de agosto de 2010

ILUSÃO


Encaro a porta dos fundos
Sinto o ar que vem da varanda
Deparo-me com a rede a balançar...
Não, saudade, não me roube o ar que respiro!
Dê-me o direito de ainda sonhar!
Cala o gemido deste coração insano
Traga-me a visão da porta da frente
E a alegria do amor
Por ela a entrar.

"quién me va a entregar sus emociones?
¿quién me va a pedir que nunca le abandone?
¿quién me tapará esta noche si hace frío?
¿quién me va a curar el corazón partío?" (Alejandro Sanz)

sábado, 14 de agosto de 2010

ABRINDO PORTAS

Senhor...
Faça com que eu aprenda o que é amar!
E que amando, eu me torne mais gente
E sendo gente, eu aprenda a ser mais humana
E sendo humana, eu me  permita errar
E praticando erros, eu aprenda a perdoar
E perdoando, eu esteja  mais próxima de Ti.

"Qual é a chave
Qual é o segredo
Que abre as portas do teu coração?"
(Adriana em  A Chave do Coração)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

AQUI E AGORA

Quem é espiritualista, certamente já leu ou  ouviu falar do livro "Violetas na Janela"¹, que narra o outro lado da vida da jovem Patrícia. Num trecho do livro, relatando seu despertar, a protagonista e também autora observa que uma mecha dos seus cabelos, que na vida terrestre sempre comportou-se de forma rebelde, naquele ocasião estava exatamente como  sempre sonhou. E vários outros desejos,  ela notou que se materializavam conforme seu pensamento pedia.

Como a protagonista da história, percebo que muitas pessoas do meu convívio também se incomodam com algo que não está bem em sua aparência física, nos relacionamentos, no trabalho, no emocional... Alguns até esperam que na hora "h" tudo passará, tudo será perdoado e tudo ficará exatamente da forma desejada. Ou então,  se não for merecedor, queimará para sempre no "fogo do inferno"! Ledo engano! Há poucos dias, lendo outro livro da mesma linha, cujo título é "Escutando Sentimentos"²,  a autora espiritual fez uma colocação diferente do primeiro caso citado:  Em narrativa de um caso pós-morte, o falecido deseja "morrer" quando percebe que a tristeza e melancolia que o acompararam durante a vida, também faziam-se presente após o desenlace  e persistiriam,  até que  trabalhasse com intuito de promover sua própria felicidade, tendo em vista que,  em favor do semelhante,  ele trabalhara  toda sua existência.  Eu cheguei à seguinte conclusão:  Quer céu ou inferno? Construa o que desejar e leve consigo onde for.

Crenças, filosofias e doutrinas à parte, tal qual a protagonista Patrícia, eu vivia atormentada por mechas de cabelo que consumiam  horas preciosas da minha vida, tendo como par constante um secador que as acalmavam temporariamente. A cerca de dois meses, decidi não mais protelar:  Por uma quantia insignificante,  fiz um tratamento capilar,  conquistei os fios desejados e hoje saio do chuveiro direto para os "holofotes", feliz, com a certeza de estar economizando energia, tempo e paciência, exibindo as madeixas louras e sedosas que sempre desejei, buscando companhias que proporcionem mais contentamento e menos estresse que o tal secador.

O exemplo do cabelo, fútil,  admito,  eu o utilizei apenas para ilustrar meu posicionamento, hoje,  na busca pela  realização dos meus desejos. A conquista da beleza interior, sem dúvida,  é a  mais importante! E posso afirmar com certeza:  A   felicidade é deste mundo! Não é para amanhã nem depois... é agora! E nem sempre vou  precisar de recursos monetários para conquistá-la. Sair do comodismo e conformismo é ato valiosíssimo para quem deseja dar o primeiro passo.  Ser feliz é a colheita resultante das sementes plantandas através de ações e pensamentos construtivos,  e do estabelecimento de metas positivas que irão determinar a realização dos  nossos sonhos.

"Afinal, o que faz você feliz?
Chocolate, paixão
Dormir cedo, acordar tarde
Arroz com feijão, matar a saudade
O aumento, a casa, o carro que você sempre quis
Ou são os sonhos que te fazem feliz?" (Arnaldo Antunes)

1. Autora: Patrícia, psicografado por Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho
2. Autora: Ermance Dufaux, psicografado por Wanderley S. de Oliveira.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DOCE PROCURA

Os astros anunciam, desde o mês de julho, o final do período de 3 anos  de encontros malsucedidos no amor para os nativos de touro, que se encerra com a chegada de agosto. Apesar da aridez o do tempo seco, respirei alividada. Ufa... Até que enfim terei um refresco! Além disso, eles preveem também novos amores, novas conquistas... resumindo: "Saia da frente que eu tô com tudo e estou prosa!"

Porém,  há uma recomendação crucial nessas previsões: É preciso esvaziar as gavetas, espanar a poeira, desfazer do que não serve mais. Nada de supérfluos abarrotando os amários! Nada de chorar pitangas pelo vestido tão cobiçado, que não veio moldar meu corpinho esculpido em  academia, só porque outra consumidora foi mais esperta! Nada de lamentar a perda daquilo que considerei ideal para mim, sem ter conseguido provar da sua essência, sem ter conseguido enxergar a beleza da sua alma!

Vasculhei a internet à procura de algo mais inteligente e consistente, talvez poético (na sua concepção, quem sabe) que as palavras acima e encontrei  num Blog da autora chamada Juli Lima, um poema que diz assim:  "Amar nem sempre rima com conviver. A abelha, o beija-flor, a borboleta amam as flores, não vivem sem elas... porém, não morrem por elas!" Amei! Reforçou a minha compreensão  que o jardim da vida está repleto de flores das mais variadas cores e matizes! Cada qual tem seu encanto e esperam por beija-flores, que, como eu, jamais desistem da busca pelo alimento, mesmo quando a flor preferida não oferece mais seu néctar.

"Não se admire se um dia
Um beija-flôr invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir...
Fui eu que mandei o beijo
Que é prá matar meu desejo
Faz tempo que não lhe vejo
Ah! que saudade d'ocê..." ( Ai que Saudade D'ocê, de Vital Farias)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

ROMEU E JULIETA: A VERSÃO DELA


Julieta não era jovem, nem velha
Não era feia, tampouco bela
Como toda mulher tinha anseios
    Por isso, não escapava aos devaneios
Não pense que Julieta  era triste
Imagine o mais lindo sorriso que existe
 Mas como viver sozinha não bastasse
Precisava de alguém que a amasse
     Em noites,  solitária,  na cama deitada
Sonhava que ainda seria amada
Mal sabia Julieta, enquanto esperava
Que há tempos Romeu a espreitava
Conhecerem-se numa reunião familiar
Onde, por olhares, começaram a se falar
E nesse romance não haveriam intrigas
As familias eram até amigas
Mas romeu não tomava a iniciativa
Julieta resolveu não ser mulher passiva
Atendendo aos desejos do coração
Iniciou,  pelo msn,  a comunicação
Romeu queria falhar-lhe de perto
Julieta, reticente, sabia o tempo certo
Até que um dia, vencida pela insistência
Ela aceitou minimizar sua carência
Encontrou-se com Romeu,  em noite de calor
Contudo, ele não lhe declarou amor
Julieta não imaginava que,  naquele momento
Começava a delinear seu sofrimento
Romeu, homem de bem, porém imaturo
Traria a ela um romance inseguro
Com o passar dos dias,  afirmava sentimento
    Mas em ações, nada se revelou, a contento
Agindo assim, em momento impreciso
Apagou aos poucos, de Julieta, o sorriso
Ao invés de revelar ao mundo sua força e energia
O amado abafou,  aos poucos,  sua alegria
De todos,  escondeu a poetisa que cantava
Enquanto,  de outra moça,  se enamorava...

No final dessa estória não há drama, nem veneno
Restará, com certeza,  um gostar mais ameno
Quem não ama como Julieta, mesmo tendo perdido
Jamais  entenderá, do viver, o sentido
E Romeu, relembrando  momentos, quem sabe um dia
Perceberá, tardiamente, que lhe completaria
Não a farra,  não os amigos, não a bebida
   A nobre Julieta é que lhe daria mais vida
                                                             
"Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontrre
Ter saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim
Eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz."
(Sonhos de Peninha)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

CRESCENDO COM AS PERDAS


"Não queremos perder,  nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanização." (Lya Luft)

No último dia 21 enfrentei um desafio por amor a meu filho: Ir a um jogo no Estádio Serradourada e para complicar a questão, assistí-lo "plantada" no meio da "Fiel Corinthiana", com uniforme e tudo a que tinha direito. Alguns perguntarão:  por que desafio? Falarei  a seguir sobre alguns aspectos que certamente responderão esta pergunta.

Em primeiro lugar, devia  contar mais ou menos 10 anos que não punha meus pés num estádio de futebol. Depois, vem outro detalhe crucial:  não torço para o Corinthias!  E mais:  ficar infiltrada no meio da torcida organizada significou os dois tempos da partida em pé, pulando e berrando os gritos de guerra! Haja disposição e coragem! Principalmente quando a gente retém na memória cenas de violência que ocorrem nesses eventos... e já não se é adolescente...Paremos por aqui!

Porém, foi um desafio onde descobri ser essencial assimilarmos a seguinte lição: Precisamos muito aprender a perder. O time em questão, com um retrospecto de vitórias, era o líder do campeonato e disputou o jogo com o "lanterninha", Atlético Clube Goianiense. E perdeu! 3x1 foi o placar, para tristeza do meu filhote, que saiu de cabeça baixa do estádio e eu, de coração partido. O que uma mãe poderia dizer numa hora daquelas, que serviria de consolo a quem só acreditava na vitória?

Nesses momentos, a gente descobre que mãe é mãe em qualquer situação mesmo!  A gente se alegra junto, a gente torce junto,  a gente sofre junto.... e se cala também!  Hoje, quando a decepção da perda já está digerida, creio que o desejo de lutar já se reacendeu no coração do meu filho. Ele aprenderá, em cada episódio dessa natureza, que a vida é feita de perdas e ganhos. Vencer sempre torna a criatura orgulhosa, acomodada, porquanto não experimenta o gosto salgado das lágrimas que rolam pela face, mas que, depois de secas, permitem uma visão mais clara, e nos faz compreender que perder é parte primordial no jogo da vida. Com as perdas,  aprendemos a  desenvolver força emocional  para enfrentarmos outros desafios que virão.  Tenho a convicção que nos ouvidos do meu filho, ao invés dos rumores de comemoração da torcida adversária -convenhamos, era ínfima!-,  agora soam nítidos os gritos da "Gaviões da Fiel":

"Aqui tem um bando de loucos…
Loucos por ti Corinthians!
Aqueles que acham que é pouco,
Eu vivo por ti Corinthians!

Eu canto até ficar rouco,
Eu canto pra te empurrar!
Vamos meu Timão, vamos meu Timão,
Não para de lutar!"

domingo, 18 de julho de 2010

ELOS DE UMA CORRENTE

Semana passada estava eu na sede do meu plano de saúde, aguardando a chamada numa perícia odontológica. O televisor da sala de espera estava ligada e o assunto em questão, num daqueles programas sensacionalistas matinais, era o caso fatídido do goleiro Bruno. As reportagens tentavam acrescentar informações àquilo que já sabíamos de cor, esmiuçando ao máximo o fato, mas como os principais acusados decidiram falar somente em Juízo, por enquanto, muito do que circulava na impressa eram apenas suposições.

A certa altura, sentou-se a meu lado uma jovem senhora que fixou-se no aparelho, muito interessada no que via e ouvia. De repente, resolveu puxar conversa e falou com veemência:
_ Nesse caso, sou a favor da tortura para que se obrigue os acusados a falarem!
Fui pega de surpresa, pensei alguns segundas e respondi a ela com outra pergunta:
_Assim sendo, você assumiria a função de torturadora?
Ela franziu a sobrancelha num gesto de estranheza à pergunta, retrucando:
_De forma alguma!
Eu já esperava por esta reação, então acrescentei:
_Você tem noção que,  mesmo não sendo um ato ativo seu, se a tortura fosse utilizada,  nesse caso, além de ferir princípios Legais, você seria co-participante na ação? Você se dá conta que no ato do torturador, seu desejo estaria sendo alí representado, assim como nossos pensamentos e desejos já foram decisivos em outras passagens da história da humanidade e que até hoje nos causam repugnância? O que você sente no coração ao pensar que, por um simples pensamento seu, de rejeição da humildade, da mansidão,  do amor e do perdão, teve participação na crucificação de Jesus?
Ela calou-se por alguns instantes e depois falou, de certa forma,  saindo pela tangente:
_Ah, também esse povo só sintoniza os canais que ficam exibindo noticiários dessa natureza o dia todo! Deviam mudar, colocar outros assuntos mais interessantes! Disso aí, a gente já tá cansado!
Não pude deixar de rir... E como eu tinha em mãos uma revista que trazia uma matéria importante sobre genética, passamos a falar sobre esse assunto, esquecendo o televisor ligado.

Você que lê essa pequena narrativa, consegue avaliar a qualidade dos seus pensamentos diariamente? Tem também amaldiçoado o goleiro Bruno e seus comparsas, além de qualificar a vítima Eliza, como "alguém  que fez por merecer" o trágico fim, mesmo não concordando com o método utilizado?

Vou contar um segredo a você e tomara que ele se espalhe! Tenho dormido e acordado em companhia de Emmet Fox, um escritor filosófico que tem contribuído em muito para meu crescimento espiritual. No Livro Mude Sua Vida, no capítulo intitulado "Como Conservar a Paz", num parágrafo ele diz: "Não é possível um ato de violência ocorrer no mundo exterior da experiência a não ser que exista, primeiro, uma ideia de violência no mundo interior do pensamento. E é igualmente verdadeiro que não é possível que as ideias de violência façam pouso na alma dos homens sem que, mais cedo ou mais tarde, sejam representadas no mundo exterior." Percebeu como seu pensamento é o autor dos  acontecimentos do cotidiano?

Se você ainda não conseguiu interagir com a ideia, vou citar mais um exemplo que o fará despertar para a necessidade urgente de reavaliar o teor daquilo que pensa. Escute essa: No final do ano, em reunião com uma família maravilhosa, alto astral e do bem, fizemos um bolão porque haveria um sorteio especial da Mega Sena. Alguns participantes (principalmente os homens solteiros), cogitando ganhar a bolada, disseram  em alto e bom tom: _Eu gastaria tal valor em "cachaça" e com o restante iria para uma casa de striptease! Torraria a grana com belas mulheres! Não era isso que o goleiro Bruno fazia? Ele caiu em duas das mais perigosas armadilhas preparadas pelo pensamento da maioria: Dinheiro e Sexo! As orgias narradas domingo passado no Fantástico, nas quais jogadores de futebol  são participantes ativos, muitos de nós, pessoas comuns, já  projetamos através do pensamento.

Sinto que "peguei pesado"! Até mesmo comigo... Pensamentos  de amor, perdão e caridade foram dirigidos à minha pessoa, senão cairia na armadilha da culpa. E como tive essa atitude condescendente comigo, peço que a tenha com você também. Se sobrar um pouco dos três ingredientes citados na primeira frase do parágrafo -  poderosos antídotos contra a violência que nos assusta - sendo que a falta deles foi a causa da devastação do mundo das pessoas evolvidas no caso mencionado , direcione um pouco a eles, através do pensamento.  São os que mais  necessitam  neste momento! Sei  é capaz desse ato generoso para  com seu semelhante. Você é um elo importante na corrente de paz que pode transformar a humanidade.


"Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver..." (Roberto e Erasmo Carlos)