Nesses 50 anos de vida, procurei colocar em prática diariamente o Mandamento da Lei Divina: "Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". A primeira parte do ensinamento não deixava dúvidas quanto à interpretação, porém, em relação à segunda, sempre cometi um equívoco: Não compreendia a necessidade de amar a mim mesma, para depois amar o outro. Em face disso, minha postura sempre foi demasiadamente passiva diante das pessoas que compartilhavam da minha intimidade.
Desenvolvi, a partir de relacionamentos desastrosos, uma carência afetiva muito danosa ao meu equilíbrio emocional. Sentia necessidade de agradar aos outros e não tinha convicção dos meus desejos, massacrando sentimentos, perdoando sempre o outro, buscando encontrar, apenas em mim, motivos que levavam a tantas frustrações. Por causa desse comportamento, inúmeras vezes, magoaram-me severamente. Nos relacionamentos amorosos, então, qualquer pangaré apresentava-se como um puro sangue, e, fatalmente, eu perdia várias apostas...Sabe aquele jogo do bem-me-quer? Comigo, quase sempre, predominava o mal-me-quer no despetalar da flor!
Interessante... Notou o tempo verbal que prevaleceu no parágrafo anterior? Sim, eu mudei! DEIXEI DE SER BOAZINHA! O amor,
a amizade, a fraternidade devem ser vividos sem distinção, porém,
doar-se, amar e só receber em troca ingratidão, leva qualquer
indivíduo a questionar suas atitudes em relação ao outro, percebendo e corrigindo as contradições. Estou aprendendo a me defender! Estou aprendendo a dizer não! Espalhei no meu caminho muitas sementes de "amor próprio" e espero ansiosa pela germinação. Atitudes de quem tudo perdoa, que nada sente, no entanto, morre por dentro, serão renegadas a um pretérito cada vez mais distante.
Hoje, no expediente de trabalho, uma contribuinte, grata pelo atendimento humanizado recebido, disse ao despedir-se de mim: Você é bonita "de
todos os jeitos". A declaração dirimiu qualquer sentimento de culpa que eu ainda pudesse ter em relação à
transformação sofrida. Foi a comprovação que minha índole continua boa e
bela! É a impressão que desejo passar a quem de mim se aproximar, pois eu sigo, radiante como sempre, e com meu novo jeito de ser.